O Hospital Onde Fiquei Internado


Há alguns anos sofri um acidente de transito e precisei ser internado para fazer uma cirurgia na perna. Eu pilotava uma moto quando um carro invadiu a preferencial e me acertou em cheio. Alguns minutos depois eu estava dentro da ambulância a caminho do hospital público. A dor em minha perna era agonizante, fora as outras dores que sentia no corpo devido a pancada e as escoriações. 

Depois de uma primeira avaliação, avisei as pessoas que me atendiam na hora que eu possuía seguro de vida e que deveriam me encaminhar ao (não citarei aqui o nome do hospital, apenas o chamarei de H. Particular) no qual as despesas seriam cobertas e o atendimento seria mais rápido. Assim sendo, me encaminharam para o H. Particular, lá avaliaram minha situação e fizeram os preparativos para a cirurgia em minha perna. Segundo o Dr. Particular, após analisar o raio-x, explicou-me o que seria feito e quando seria feito. 

Fui medicado e preparado para a cirurgia que ocorreria na manhã do dia seguinte (sofri o acidente no fim da tarde) e fiquei em repouso num quarto com cama para dois pacientes, no entanto, eu era o único paciente daquele quarto. Minha mulher me fez companhia até às 22hrs e, como tínhamos uma filha pequena na época, ela se viu obrigada a voltar para casa me deixando aos cuidados dos médicos. 

Bom, não tinha muito o que fazer até a hora da cirurgia a não ser me medicar contra a dor, que mesmo assim era agonizante, impedindo que o sono viesse. Eu apenas cochilava e logo acordava novamente. Porém, algo estranho me aconteceu aquela noite e se repetiu na noite seguinte. 

Como a dor impedia que eu dormisse, liguei a pequena TV que havia no quarto e passei a assistir. A luz do quarto estava desligada, o volume da TV bem baixo, quase no mudo. Fui então tomado pela forte dor outra vez e me vi obrigado a chamar a enfermeira. Havia um botão na parede que eu deveria pressionar caso precisasse de atendimento, e foi o que fiz. Um minuto ou dois depois que pressionei o botão pude ouvir, ao longe, passos no corredor. Começou baixinho e aumentando a medida que se aproximava de meu quarto. Quando por fim pareceu chegar a porta do quarto onde eu repousava os passos cessaram. Fiquei esperando o abrir da porta, mas não foi o que aconteceu. Intrigado com o porquê dessa pessoa não abrir a porta, eu acendi a luz. 

“A porta está aberta” eu disse, esperando que a enfermeira entrasse e fizesse a medicação, mas o silêncio persistiu. “Enfermeira?” Enfatizei, mas não ouve resposta. Com a perna quebrada e agonizando em dor, nada pude fazer se não esperar uma resposta. Pressionei novamente o botão na parede, dessa vez, duas vezes seguidas, após isso, desliguei a TV e fiquei intrigado, esperando a chegada da enfermeira. 

Foi então que gelei. Pensei ter ouvido uma leve respiração, porém sufocada, como se alguém não pudesse respirar livremente vindo daquela porta. A respiração parou somente quando pude ouvir outros passos, assim como os anteriores, começou baixo e se tornou mais alto a medida que se aproximava do meu quarto. Porém, desta vez, ao chegar a porta se abriu. Era a enfermeira.

- Desculpe a demora, estava preparando seus medicamentos, já está quase na hora de aplica-los novamente, está sentindo muita dor?

Expliquei a ela as dores que estava sentindo uma vez mais e disse também que estava com dificuldades para dormir. Ela, enquanto aplicava as medicações e fazia a troca de meu soro disse que infelizmente agora não poderia me medicar com soníferos, que apenas poderia aliviar minha dor. Ela é uma senhora gentil, conversamos um pouco sobre minha profissão e como se deu meu acidente. Ela perguntou da minha família e me contou um pouco da dela. Antes que ela saísse do quarto eu perguntei a ela se ninguém havia vindo ao meu quarto minutos antes que ela chegasse, e ela disse que isso era impossível, pois quem faria minha vistoria era apenas ela e uma outra enfermeira mais jovem, mas que não estava de plantão naquele momento, que voltaria apenas uma hora depois. 

Fiquei intrigado com o que aconteceu, mas tomei aquilo como se meu cérebro quisesse me pregar uma peça. Claro, eu estava medicado e morrendo de dor, confusão mental era algo plausível na minha situação. Então simplesmente tentei esquecer aquilo tudo, apaguei a luz e tentei pegar no sono uma vez mais, desta vez, consegui. Acordei com a outra enfermeira, a mais nova, abrindo as cortinas do quarto e me alertando sobre a cirurgia que ocorreria logo.

Todos os preparativos foram feitos e fui levado para a sala de cirurgia. Não lembro quanto tempo fiquei lá pois fui dopado. Quando acordei, estava novamente naquele quarto, minha mulher e filha no colo, sentadas ao lado de minha cama. A cama ao lado continuava vazia, eu continuava a ser o único paciente naquele quarto. O doutor que realizou minha cirurgia foi até meu quarto e me explicou como se procedeu toda a cirurgia e o que fizeram para acertar meus ossos quebrados. Minha mulher acompanhou todo o discurso e, ao fim, o médico disse que, dependendo da minha situação, eu poderia ir para casa naquele mesmo dia. Porém, ainda sentia muita dor e foi necessário que eu ficasse ali por mais uma noite. 

Desta vez, consegui pegar no sono com mais facilidade, mas acabei acordando na madrugada, precisando ir ao banheiro. Liguei a luz e pressionei o botão. Notei que a cadeira que minha mulher havia utilizado para se sentar estava posicionada ao lado de minha cama, virada para mim, mas não dei muita importância para aquilo, mesmo lembrando que esta mesma cadeira não estava ali antes que eu pegasse no sono. Alguns minutos depois a mesma enfermeira da noite anterior veio me atender. Ela me auxiliou com minhas necessidades e me medicou outra vez. Como na noite anterior, conversamos um pouco e ela logo se foi, afastando a cadeira que estava ao lado da minha cama para o lado da outra cama. Feito isso ela se foi, deixando a porta encostada. Eu apaguei a luz e fechei meus olhos e só os abri algum tempo depois, quando novamente ouvi os passos no corredor. 

Outra vez os passos cessaram ao chegar na altura da porta de meu quarto. “Enfermeira?”, mas não ouve resposta. “Quem tá aí?”. Nada, nem um pio sequer. Depois de algum tempo de silencio, acabei pegando no sono. Pensei ter ouvido um leve rangido da porta, mas estava cansado demais e não consegui abrir os olhos. 

Acordei pela manhã e as primeiras coisas que notei naquele quarto foram a cadeira posta ao lado da minha cama, virada para mim e algumas marcas (como se alguém tivesse sentado) na cama ao lado. Chamei a enfermeira e pedi a ela que me chamasse o doutor para que me pudesse dar alta pois já estava melhor, mas na verdade eu estava é assustado com aquilo, mesmo sabendo que pudesse ser coisa da minha cabeça. O doutor fez algumas observações e me permitiu deixar o hospital, minha mulher veio me buscar naquela mesma manhã e voltamos para casa. 

Estou dividindo isto com vocês pois, sete anos depois de que fiquei internado no H. Particular, acabei encontrando alguns relatos na internet de pessoas que passaram pela mesma situação inexplicável naquele lugar, e isso me deu um arrepio na espinha. Havia pensado que tudo aquilo que aconteceu naquelas duas noites fora coisa de minha mente. Mas não acredito mais que realmente tenha sido isso. 

Este é o trecho do relato de uma pessoa que foi internada naquele hospital três anos antes de mim, ocultarei alguns detalhes tal qual a cidade, o nome da pessoa e o nome do local, mas se você tiver dúvidas e quiser procurar, basta uma breve busca no Google que encontrará esses tais relatos e muitos outros mais estranhos que o meu. 

“Em Cidade X, uma cidade do Paraná, tem um hospital particular chamado H. Particular fica no centro de Cidade X. Em 2005 eu viajei pra casa da min ha mãe nessa cidade e minha irmã passou mal e foi pra esse hospital. Ela teve que passar a noite no hospital. Ela contou que foi dormir e tinha uma cadeira nos pés da cama virada pra televisão e de madrugada, ela levantou pra ir ao banheiro e ligou a televisão com o controle pra clarear o caminho. Ela conta que levou um susto, pois a cadeira estava virada pra cama, como se alguém tivesse entrado no quarto e virado a cadeira pra ficar observando ela dormir, como se alguém estivesse cuidando dela, mas ninguém da família ficou lá, pois tinha que pagar pra dormir no hospital como acompanhante. No dia seguinte ela perguntou pra todos os enfermeiros que trabalharam naquela noite no hospital se alguém ficou sentado na cadeira no quarto que ela estava. Todos disseram que ninguém havia sentado na cadeira e ela contou sobre o que aconteceu naquela noite. Então uma enfermeira do hospital contou pra ela que vários pacientes internados já haviam passado pela mesma coisa, eles acordavam e viam que a cadeira estava virada na direção deles, como se alguém estivesse passado a noite vigiando eles. São espíritos de pessoas que morreram nesse hospital e que vigiam os pacientes internados enquanto eles dormem, disseram os enfermeiros do hospital.Ate hoje a gente conversa sobre isso e minha família voltou para São Paulo, mas esse fato minha irmã disse que nunca vai esquecer...Têm coisas que não tem como explicar.”

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